{"id":51,"date":"2020-05-06T18:22:01","date_gmt":"2020-05-06T21:22:01","guid":{"rendered":"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/?page_id=51"},"modified":"2020-06-08T06:17:44","modified_gmt":"2020-06-08T09:17:44","slug":"fartura","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/fartura\/","title":{"rendered":"Fartura"},"content":{"rendered":"\n<h4>Caminhando entre desmontagens e constru\u00e7\u00f5es, por Fabio Rodrigues<\/h4>\n\n\n\n<p>Partindo de apari\u00e7\u00f5es da bandeira do Brasil em alguns filmes do conjunto de inscritos no IX CachoeiraDoc, apari\u00e7\u00f5es por vezes fantasmag\u00f3ricas \u2013 em posi\u00e7\u00f5es coadjuvantes ou desmontadas em primeiro plano \u2013, de modo, muitas vezes, a romper com o discurso de ordem e progresso, sondaremos como alguns desses filmes t\u00eam pensado o Brasil a partir do agora, especialmente a partir da retomada do<em>&nbsp;arquivo do agora<\/em>. O movimento ser\u00e1 duplo: ao passo que nos interessa os filmes que falam diretamente \u201cBrasil\u201d, tamb\u00e9m acolheremos um movimento de filmes em que a retomada de imagens de arquivos, &nbsp;muitas vezes registros familiares, \u00e9 acompanhada da constru\u00e7\u00e3o de legibilidades que nos colocam frontalmente a quest\u00e3o de desaprender\/reaprender o pa\u00eds pela mem\u00f3ria que se re\u00fane ali ou se constr\u00f3i a partir dali. Portanto, indiretamente esses filmes falam \u201cbrasil\u201d naquilo que essa palavra, por assim dizer, n\u00e3o diz. Nesse caso, uma esp\u00e9cie de&nbsp;<em>arquivo m\u00ednimo<\/em>&nbsp;parece precipitar, ao seu modo, a grande narrativa identit\u00e1ria do pa\u00eds. Em ambos os casos, uma esp\u00e9cie de pol\u00edtica de mem\u00f3ria parece emergir na rela\u00e7\u00e3o e aproxima\u00e7\u00e3o desses filmes t\u00e3o distintos, aproximados por um fantasma ou uma centelha. A partir desse duplo movimento, pensaremos com o filme <em>Fartura <\/em>(2019), curta-metragem dirigido por Yasmin Thayn\u00e1, essa rela\u00e7\u00e3o que chamamos apressadamente de o \u201cm\u00e1ximo divisor e o m\u00ednimo m\u00faltiplo comum\u201d, no intuito de d\u00e1 a ver a disputa pelas imagens colocada em cena. Estruturado em tr\u00eas tempos, o filme de Yasmin pensa a comida em sua rela\u00e7\u00e3o ritual, na sua sabedoria e fazer ancestral, em sua dimens\u00e3o de cura e, enfim, na sua multifun\u00e7\u00e3o de alimenta\u00e7\u00e3o do corpo, da alma e dos esp\u00edritos. O filme parte de uma quase sintomatologia das fotografias de fam\u00edlias negras &#8211; atendo-se ao modo que se d\u00e1 a ver a comida na composi\u00e7\u00e3o da imagem &#8211; para pensar como o alimento \u00e9 um ponto de partilha e conex\u00e3o: o comer (e o d\u00e1 de comer) como quest\u00e3o fundamental e de fundamento. As entrevistas seguem, ao longo do filme, em tom de conversa entre as personagens e a diretora, incorporando na paisagem sonora o ambiente festivo em que s\u00e3o colhidos os depoimentos &#8211; &nbsp;note-se que a dimens\u00e3o da festa n\u00e3o se separa aqui do cuidado e cultivo da vida e nem se confunde com a pura e simples comemora\u00e7\u00e3o. Pouco a pouco, &nbsp;o filme funda um arquivo (porque re\u00fane imagens e relatos tantos e dispersos) que diz de uma mem\u00f3ria de luta, de uma for\u00e7a ancestral e, atrav\u00e9s das fotografias, dos corpos eles mesmos como manifesta\u00e7\u00e3o. Se, no caso do arquivo do agora, esbo\u00e7a-se a tentativa de desmontar a imagem-s\u00edmbolo nacional, no segundo, \u00e9 a mem\u00f3ria em constru\u00e7\u00e3o que faz confronto \u00e0 identidade nacional.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"632\" height=\"353\" src=\"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/fartura-4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-494\" srcset=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/fartura-4.png 632w, https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/fartura-4-300x168.png 300w\" sizes=\"(max-width: 632px) 100vw, 632px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h3><strong>Fartura (Rio de Janeiro, 2019, 26 min.<\/strong>)<\/h3>\n\n\n\n<p>Dire\u00e7\u00e3o: Yasmin Thayn\u00e1 &#8211; yasminthayna@ gmail.com<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/yasminthayna\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img src=\"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/insta.png\" alt=\"\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Sinopse: A partir de imagens dom\u00e9sticas, a comida revela um modo de viver em comunidade.<\/p>\n\n\n\n<center><figure class=\"wp-block-image size-thumbnail is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/1200px-DJCTQ_-_L.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-505\" width=\"63\" height=\"63\"><\/figure><\/center>\n\n\n<p><!--EndFragment--><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caminhando entre desmontagens e constru\u00e7\u00f5es, por Fabio Rodrigues Partindo de apari\u00e7\u00f5es da bandeira do Brasil em alguns filmes do conjunto de inscritos no IX CachoeiraDoc, apari\u00e7\u00f5es por vezes fantasmag\u00f3ricas \u2013 em posi\u00e7\u00f5es coadjuvantes ou desmontadas em primeiro plano \u2013, de modo, muitas vezes, a romper com o discurso de ordem e progresso, sondaremos como alguns [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":356,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"{\"coblocks-hero-4610551319\":{\"padding\":{}}}","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/51"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51"}],"version-history":[{"count":40,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/51\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":552,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/51\/revisions\/552"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/356"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}