{"id":116,"date":"2020-05-12T12:25:10","date_gmt":"2020-05-12T15:25:10","guid":{"rendered":"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/?page_id=116"},"modified":"2020-06-08T06:16:47","modified_gmt":"2020-06-08T09:16:47","slug":"a-beira-do-planeta-mainha-soprou-a-gente","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/a-beira-do-planeta-mainha-soprou-a-gente\/","title":{"rendered":"\u00c0 beira do planeta mainha soprou a gente"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"has-text-align-left\">Tempo de Feij\u00e3o-Pedra, por <strong>Ramayana Lira<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Dos filmes que vi no processo de curadoria para o CachoeiraDoc os que mais me impressionaram foram os que pareciam querer adiar o fim do mundo. Se, por um lado, \u00e9 completamente compreens\u00edvel que, no Brasil, boa parte do pensamento e da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica tenha sido capturada pelo catastr\u00f3fico resultado das elei\u00e7\u00f5es de 2018, uma outra parcela de obras se arrimou no presente de grupos e comunidades que insistem no <em>ainda n\u00e3o!<\/em>. Ora, \u00e9 certo que, por um lado, s\u00e3o v\u00e1rios os mundos que desmoronam; contudo, por outro lado, h\u00e1 os mundos cuja emerg\u00eancia os filmes captam e constroem. Se, para Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, escrever se avizinha do catar o feij\u00e3o, tamb\u00e9m o gesto curatorial enfrenta o risco de encontrar \u201co gr\u00e3o imastig\u00e1vel\u201d, aquele que \u201cobstrui a leitura fluviante, flutual, a\u00e7ula a aten\u00e7\u00e3o\u201d (\u201cCatar feij\u00e3o\u201d). \u00c9 esse imastig\u00e1vel, essa pedra em meio ao feij\u00e3o, ou antes, esse feij\u00e3o-pedra, esse disforme, esse cuja forma \u00e9 um n\u00e3o-ainda, que me interessou. Entre imagem e mundo, a fric\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por aquilo do mundo que, na imagem, ainda n\u00e3o se con-figurou, ou j\u00e1 se des-figurou, ou seja, n\u00e3o \u00e9 novo ainda, ou j\u00e1 o deixou de ser h\u00e1 muito.<\/p>\n\n\n\n<p>A provoca\u00e7\u00e3o do nosso presente imediato \u00e9 entender, na dobra da temporalidade do \u201cainda n\u00e3o\u201d e dos rastros e pistas do \u201cn\u00e3o mais\u201d, o tempo de um agora simultaneamente esvaziado e intensificado. Tempo, tempo, tempo. A curadoria tornou-se, antes de tudo, rinha com o tempo. Esse tempo esquisito de pandemia que, como na persist\u00eancia da mem\u00f3ria de Dal\u00ed, dissolve rel\u00f3gios, desregra rotinas, desmantela metr\u00f4nomos. Um tempo troncho, esquisito. Um tempo <em>queer<\/em>. Pessoas <em>queer<\/em> desde cedo ensaiam a dan\u00e7a em outros tempos, outras pulsa\u00e7\u00f5es. H\u00e1 uma nossa parte <em>queer<\/em> que sofre muito com o tempo pand\u00eamico (muito em fun\u00e7\u00e3o da necessidade de respondermos ao que o tempo da normatividade nos imp\u00f5e). Contudo, h\u00e1, tamb\u00e9m, um repert\u00f3rio vasto de temporalidades experimentais que criamos, como diz J. Halberstam, atrav\u00e9s de uma l\u00f3gica que foge aos marcadores paradigm\u00e1ticos da experi\u00eancia: nascimento, casamento, reprodu\u00e7\u00e3o, morte. Inventamos atrav\u00e9s dessa l\u00f3gica. Recolocamos a necessidade do \u201cainda n\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Curar, deitar a carne ao sol, esperar que o tempo cure. Uma espera, um \u201cainda n\u00e3o\u201d (n\u00e3o seria exatamente a\u00ed que acontece a imagem t\u00e9cnica, na espera antes do <em>clique<\/em>, do <em>rec<\/em>?). O que \u201cainda n\u00e3o\u201d na imagem, o feij\u00e3o-pedra. O que permite adiar o fim e sonhar o futuro (n\u00e3o um futuro preenchido por alguma teleologia, mas o futuro como possibilidade ainda n\u00e3o configurada). Foi isso que vi em <em>\u00c0 beira do planeta mainha chamou a gente<\/em>, de Bruna Barros e Bruna Castro.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"737\" height=\"415\" src=\"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/a-beira-737.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-421\" srcset=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/a-beira-737.png 737w, https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/a-beira-737-300x169.png 300w\" sizes=\"(max-width: 737px) 100vw, 737px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h3><strong>\u00c0 beira do planeta mainha soprou a gente (Bahia, 2020, 13 min.) <\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Dire\u00e7\u00e3o: Bruna Barros e Bruna Castro &#8211; abeiradoplanetafilme@gmail.com <\/p>\n\n\n\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/abeiradoplanetafilme\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> \n\n<div class=\"wp-block-coblocks-logos\"><div class=\"wp-block-coblocks-logos__row\"><div style=\"width:16.5574%\"><img src=\"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/insta.png\" alt=\"\" data-id=\"263\" data-width=\"16.5574%\"\/><\/a><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Sinopse: Recortes de afeto entre duas sapatonas e suas m\u00e3es<\/p>\n\n\n\n<center><figure class=\"wp-block-image size-thumbnail is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festivalimpossivel\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/1200px-DJCTQ_-_L.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-505\" width=\"63\" height=\"63\"><\/figure><\/center>\n\n\n<p><!--EndFragment--><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de Feij\u00e3o-Pedra, por Ramayana Lira Dos filmes que vi no processo de curadoria para o CachoeiraDoc os que mais me impressionaram foram os que pareciam querer adiar o fim do mundo. 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