{"id":7641,"date":"2021-03-05T20:06:30","date_gmt":"2021-03-05T23:06:30","guid":{"rendered":"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/?p=7641"},"modified":"2021-03-05T20:06:31","modified_gmt":"2021-03-05T23:06:31","slug":"retalhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/2021\/03\/05\/retalhar\/","title":{"rendered":"Retalhar"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u2013 por Viviane Goulart \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No dicion\u00e1rio da internet duas interpreta\u00e7\u00f5es para o t\u00edtulo, optei pela primeira, apesar de n\u00e3o diz\u00eae-la.<\/p>\n\n\n\n<p>O fotograma \u00e9 para abrir caminhos e a palavra retalhar, quer dizer aqui cortes, peda\u00e7os, que como numa montagem cinematogr\u00e1fica s\u00e3o dispersos e vastos, cabe ao editor reter e escolher, para assim criar mais uma etapa ou camada da obra. Retiradas de seus lugares de origem \u2013 neste racioc\u00ednio, a origem seria a obra em si; as imagens, aquelas que ficam, que fincam a alma, a mem\u00f3ria, o reflexo, a vista ou o sentido, as imagens mexem comigo. Vou me ater a elas, para dizer como o <strong>Cachoeira doc <\/strong>inundou almas neste fim de dezembro de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Makota Valdina homenageada com alguns filmes nesta edi\u00e7\u00e3o, surge na mata da UFMG (em <strong><em>Retrato da Mestra Makota Valdina<\/em><\/strong> \u2013 longa-metragem, Minas Gerais, 2019, de C\u00e9sar Guimar\u00e3es e Pedro Aspahan), e me recordo dos encontros com o grupo de cer\u00e2mica que convivi ali, naquelas mesmas matas no primeiro semestre de 2015. Lideran\u00e7a religiosa, mulher negra, defensora dos direitos humanos e das mulheres, professora e militante, sentada ali, de frente \u00e0s c\u00e2meras, ela ensina, me ensina, est\u00e1 viva&#8230; As imagens tem este poder, de mover o tempo, de reconstruir o tempo, mexer com o passado, com o futuro e com o presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ou\u00e7o Makota, percebo o poder da educa\u00e7\u00e3o, e (com ela) de dentro de uma universidade p\u00fablica brasileira, penso na luta pela perman\u00eancia e presen\u00e7a de conhecimentos tradicionais e \u00e9tnico- raciais, dentro destes espa\u00e7os formativos. Retorno \u00e0 Cachoeira, sigo para o Rec\u00f4ncavo Baiano, onde ainda n\u00e3o pisei. Na oficina com Ing\u00e1, me deparo com um curta-metragem de Ulisses Arthur: <strong><em>CorpoStyleDanceMachine<\/em><\/strong>, onde palavras s\u00e3o colocadas em cena como imagens \u2013 deslocadas da voz do personagem para uma descri\u00e7\u00e3o da Palavra Vis\u00edvel \u2013&nbsp; com o aspecto de Cr\u00e9ditos Finais de um filme, por\u00e9m a est\u00e9tica \u00e9 subvertida em texto e n\u00e3o mais cr\u00e9ditos, \u00e9 verbo, faz parte da cena e do discurso do personagem principal da obra. Este jogo com a palavra que \u201csalta\u201d o corpo de quem diz, pude ver em <strong><em>Sair do Arm\u00e1rio <\/em><\/strong>(Bahia, 2018, 3 min.), de Marina Pontes. No curta-metragem da sess\u00e3o<em> \u201cQuando o invis\u00edvel se torna vis\u00edvel o olho demora a acostumar\u201d<\/em>, um di\u00e1logo com a m\u00e3e aparece em \u00e1udio e legenda, reverberados na voz de uma mulher l\u00e9sbica que revela sua escolha e sua personalidade para a M\u00e3e. Ela grava a voz, apenas a voz. O filme de Marina Pontes \u00e9 um di\u00e1logo entre m\u00e3e e filha, e para o mundo vira Cinema, mas percebam, o gesto nele contido e seu efeito v\u00e3o al\u00e9m da estrutura f\u00edlmica. Duas mulheres falam sobre exist\u00eancias e escolhas de vida, escolhas de bem viver, escolhas de ser. A m\u00e3e recusa, a filha diz. O gesto de Marina em deixar invis\u00edvel a imagem, apenas a presen\u00e7a das palavras e do som de sua voz, ampliam esta situa\u00e7\u00e3o de mundo. Poderia ser eu, atr\u00e1s da tela preta, poderia ser voc\u00ea, e podem ser muitas de n\u00f3s, pode ser hoje, pode ser em outro tempo hist\u00f3rico: futuro ou passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Dispositivos&#8230; Foram tantos deles vistos nestas obras de Cachoeira doc 2020. Vou me ater \u00e0s imagens, sigo com elas.<\/p>\n\n\n\n<p>E no caminho, seguindo de Goi\u00e1s para Minas Gerais (literalmente), escrevo sobre <strong><em>Michele de Michele Mesma: Narrativas de uma Mulher Sertaneja<\/em><\/strong>(Bahia, 2019, 12 min.) de Michele Menezes, em rela\u00e7\u00e3o a <strong><em>Um de vermelho e um de amarelo<\/em><\/strong> (Minas Gerais, 2020, 14 min.), de Frad, GM, Lipe. Gosto do efeito destas imagens sobre o cinema&#8230; Sigo com o pensamento sobre o gesto, sobre o processo e sobre o tempo &nbsp;de se fazer uma obra f\u00edlmica. Em <em>Um de vermelho e um de amarelo <\/em>encontro com as imagens dos diretores, percebo no t\u00edtulo (ap\u00f3s assistir ao filme) a proposta de um jogo, de uma brincadeira com as imagens. Os diretores d\u00e3o voz aos personagens e geram novos significados ao que gravam, com a montagem inserem uma conversa com reflex\u00f5es sobre os seus cotidianos, agora corporificado em dois personagens capturados pela c\u00e2mera, os quais elegem como representantes de suas falas. A c\u00e2mera treme nas m\u00e3os daqueles que a operam, ao mesmo tempo que mira, foca e se aproxima&#8230; O morro ocupa a tela, apresenta uma parte da Serra e com um movimento de zoom at\u00e9 a imagem chega at\u00e9 dois rapazes, <em>um de vermelho e um de amarelo<\/em>. Caminho agora com Michele, uma mulher, uma jovem sertaneja&#8230; A paisagem de seu sert\u00e3o me anima a contar mais hist\u00f3rias, a fazer cinema e a fazer document\u00e1rio. Um filme di\u00e1rio. O olhar da diretora sobre o seu lugar, quem poderia falar? O filme de Michele recupera meu passado, me leva aos primeiros contatos com o audiovisual, em uma \u00e9poca que eu ainda n\u00e3o sabia o que tinha que ser: fot\u00f3grafa ou operadora de c\u00e2mera? Sigo com as imagens, todas elas, as que nossa retina apreende, segura e transforma. E a partir do dispositivo da mem\u00f3ria, digo: n\u00e3o nos deixemos nos perder pelas imagens com as quais nos integramos e\/ou interagimos. Elas podem existir de diversas maneiras: mentais, f\u00edsicas, em papel ou digitais, de todas as formas elas existem \u2013 at\u00e9 em sonhos s\u00e3o reais. Chego na imagem de arquivo, nos vest\u00edgios e nas mem\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Document\u00e1rio \u00e9 ver na realidade hist\u00f3rias para contar. \u00c9 inventar, revelar e reverberar com as artes cinematogr\u00e1ficas! Lembrando sempre que um filme \u00e9 feito de escolhas.<\/p>\n\n\n\n<p>De uma \u00fanica mem\u00f3ria B\u00e1rbara faz um filme, lembra de seu pai e faz cinema. Como uma RG vira cinema? Intrigada, deixo o texto dela dizer al\u00e9m do pr\u00f3prio filme, o sentido deste ser: B\u00e1rbara Carmo e a amplitude do di\u00e1logo de seu trabalho <strong><em>Vander<\/em><\/strong> (Bahia, 2019, 2\u2019), como o filme <strong><em>Cinema Contempor\u00e2neo<\/em><\/strong> (Pernambuco, 2019, 5\u2019) de Felipe Andr\u00e9 Silva, com quem partilho: Cinema \u00e9 Cura. Que bom que voc\u00ea fez o filme Felipe, gostei de quando falou: \u201cSe n\u00e3o fosse eu, quem iria contar esta hist\u00f3ria?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuo com o arquivo, para pensar sobre as tecnologias passadas e presentes, em um futuro dist\u00f3pico ou real, atravessada pelas sess\u00f5es <em>\u201cAs naves pousaram anos atr\u00e1s\u201d<\/em> e <em>\u201cA fuga s\u00f3 acontece porque \u00e9 imposs\u00edvel\u201d. <\/em>\u00a0<strong><em>Relatos Tecnopobres<\/em><\/strong> (Goi\u00e1s, 2019, 12\u2019), dire\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Batista Silva, um filme h\u00edbrido, que atrav\u00e9s de imagens reais de um passado recente, anuncia um futuro num presente ca\u00f3tico, no qual resistimos para permanecer no planeta Terra. (Press\u00e1gio de uma pandemia? Talvez). No curta os <em>guerrilheiros do ex\u00e9rcito de liberta\u00e7\u00e3o tecnopobre<\/em> vivem em subsolos e usam m\u00e1scaras devido \u00e0 atual situa\u00e7\u00e3o da atmosfera e do ar no nosso planeta. O filme de Thiago Foresti <strong><em>Invas\u00e3o Espacial<\/em><\/strong> (Distrito Federal, 2019, 15\u2019) conecta com \u201cos\u201d <em>Relatos Tecnopobres<\/em>, onde Jo\u00e3o Batista faz um press\u00e1gio do devir, comunica com o passado atrav\u00e9s das recentes manifesta\u00e7\u00f5es urbanas e das lutas populares brasileiras, e anuncia a resist\u00eancia. Thiago discorre sobre a realidade em conjunto \u00e0 algumas comunidades de Alc\u00e2ntara no Maranh\u00e3o do Brasil, e a partir da montagem e das cartelas de seu doc., refletimos sobre a ideia e concep\u00e7\u00e3o de uma invas\u00e3o orquestrada pela NASA e uma base de foguetes que se instalou no litoral do estado do Maranh\u00e3o. Nos relatos dos moradores e perspectivas destas comunidades pesqueiras, percebemos a dist\u00e2ncia entre os invasores e as fam\u00edlias locais: \u201cera como se a gente fosse mudo n\u00e9, mas n\u00f3s n\u00e3o somos mudos\u201d. A distopia \u00e9 uma realidade no Brasil atual.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7643\" srcset=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2-1024x576.png 1024w, https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2-300x169.png 300w, https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2-768x432.png 768w, https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2.png 1289w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O corpo. Volto para os filmes e para as obras realizadas sob dire\u00e7\u00e3o de Mulheres: tamanhas obras, diferentes propostas. Nos cabelos de <strong><em>Irun Or\u00ed<\/em><\/strong><em> (<\/em>Bahia, 2020, 8 min.) de Juh Almeida, vi mapas, vi caminhos, vi trajetos, vi texturas, vi sentidos. Deixo aqui alguns fotogramas, para a intera\u00e7\u00e3o com as sensa\u00e7\u00f5es que possam existir:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"578\" src=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/3-1024x578.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7642\" srcset=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/3-1024x578.png 1024w, https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/3-300x169.png 300w, https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/3-768x433.png 768w, https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/3.png 1299w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Encontro com <strong><em>Corpus Infinitum fala-performance de abertura com Denise Ferreira da Silva<\/em>, <\/strong>com quem interajo ereintegro com o texto-carta-di\u00e1rio de Lina Cirino. A fala de Denise, sua pessoa, sua imagem, seu jogo e sua presen\u00e7a neste festival se fundem \u00e0 signific\u00e2ncia do que acredito ser: <strong><em>Pot\u00eancia. <\/em><\/strong>Elas dizem, eu ouvi, e li para assim poder conversar e reunir minhas reflex\u00f5es \u00e0s delas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cat\u00e1rtico todo este texto. O ano foi assim n\u00e9? Retomo o corpo, como o lugar de express\u00e3o e encontro com o filme e instala\u00e7\u00e3o <strong><em>Lembrar daquilo que esqueci <\/em><\/strong>(Esp\u00edrito Santo, 2020, 20 min.), de Castiel Vitorino Brasileiro. Ela pergunta: o que \u00e9 Cura? Para todes que a visitam. Na imensid\u00e3o de seu sagrado, consigo permear o quarto visitado, margeio como um rio pela superf\u00edcie, pr\u00f3xima a este sagrado, com o fluxo das performances e perguntas ali presentes. Tento entender o que a Cura significa para mim e para o meu ser. N\u00e3o preciso dizer. Aqui a proposta \u00e9 a instiga para quem n\u00e3o viu e a extens\u00e3o da experi\u00eancia para quem se \u201cpresentificou\u201d ou se fez presente neste ano com o Cachoeira doc.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem mais impress\u00f5es para contar, mas o tempo deste texto j\u00e1 se expirou. O tempo. Me despe\u00e7o com Makota Valdina e seu terreiro Nzo Onimboy\u00e1, com a presen\u00e7a dos m\u00fasicos Queinho Pinto, Juninho Pakapim, Marcio Manchinha e Marinho Groove, fam\u00edlia de Makota, ao som em conjunto com Mateus Aleluia, voz, ser e pessoa tamb\u00e9m homenageada nesta edi\u00e7\u00e3o do Cachoeira doc.&nbsp; No movimento das \u00e1guas presentes em v\u00e1rias das obras assistidas e encontradas neste festival, deixo o sopro da abertura e das semanas que o Cachoeira doc proporcionou. Sejamos \u00e1gua, nos inundemos quando nos encontrarmos \u2013 em diferentes realidades e circunst\u00e2ncias, e que possamos nos afetar&#8230; Deixar sentir (algo acess\u00edvel) ao que compreendemos ser Sentido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2013 por Viviane Goulart \u2013 No dicion\u00e1rio da internet duas interpreta\u00e7\u00f5es para o t\u00edtulo, optei pela primeira, apesar de n\u00e3o diz\u00eae-la. 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