{"id":7617,"date":"2020-12-21T20:36:00","date_gmt":"2020-12-21T23:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/?p=7617"},"modified":"2020-12-21T20:38:40","modified_gmt":"2020-12-21T23:38:40","slug":"do-lado-de-fora-do-armario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/festival\/2020\/12\/21\/do-lado-de-fora-do-armario\/","title":{"rendered":"Do lado de fora do Arm\u00e1rio (Sair do Arm\u00e1rio)"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u2013 por Dante Gabriel Lima \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Confesso que quando vejo uma tela em branco anseio ver algo escrito ali. Mas, nesse caso, as palavras que surgiam eu gostaria de nunca ter lido, gostaria que nunca tivessem sido ditas. <em>Sair do Arm\u00e1rio<\/em> (Marina Pontes, 2018) \u00e9 um filme muito mais profundo do que a pr\u00f3pria realizadora antecipou. Em seus tr\u00eas minutos de dura\u00e7\u00e3o, o filme mostra um di\u00e1logo entre m\u00e3e e filha a respeito da orienta\u00e7\u00e3o sexual da \u00faltima.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao primeiro olhar, pode parecer simples colocar em tela apenas uma legenda do que est\u00e1 sendo conversado. Contudo, ao decorrer das frases voc\u00ea percebe que n\u00e3o importa se vemos ou ouvimos, \u00e9 dif\u00edcil acreditar que aquelas palavras podem ser consideradas normais, seja para as v\u00edtimas que as ouvem, ou para quem as profere.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">\u201cDeus me livre. Espera eu morrer, t\u00e1?\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cada uma das frases que Marina Pontes decidiu colocar em seu curta (que v\u00eam de uma conversa de mais de uma hora com sua m\u00e3e) me trouxeram diversas perguntas:<\/p>\n\n\n\n<p>O que leva uma m\u00e3e a preferir morrer ao ver a filha feliz? Como \u00e9 poss\u00edvel enxergar na possibilidade de seu filho viver sozinho, a melhor possibilidade? E como foi constru\u00eddo esse preconceito de maneira que a m\u00e3e n\u00e3o entenda que cada palavra daquela \u00e9 muito mais atroz do que qualquer preconceito alheio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">\u201cO \u00fanico conselho que eu teria pra te dar (&#8230;) Fica sozinha\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>As respostas dessas perguntas podem gerar discuss\u00f5es por dias e poderiam ser feitas ao redor de diversos estudos e pesquisas. Mas nada traria acalanto para o ritmo de um cora\u00e7\u00e3o partido logo depois de assistir a este filme. E com \u201ceste filme\u201d, me refiro \u00e0quela express\u00e3o \u201ceu j\u00e1 vi esse filme antes\u201d; me refiro a essa fobia introjetada nas veias por gera\u00e7\u00f5es a fio, e que, infelizmente, j\u00e1 foi e \u00e9 reproduzida infinitamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Posso ter sentido o que for nas v\u00e1rias vezes que assisti ao curta, mas em nenhum momento coloquei Mam\u00e3e numa posi\u00e7\u00e3o de vil\u00e3, pessoa m\u00e1. J\u00e1 que a pr\u00f3pria maneira que a diretora decide colocar o filme n\u00e3o corporifica a pessoa opressora. No final das contas, ela \u00e9 uma m\u00e3e que ama a filha e deseja o melhor pra ela de acordo com o que conhece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">\u201cIsso n\u00e3o \u00e9 uma coisa natural (&#8230;) Queria ser mais am\u00e1vel, mas eu n\u00e3o consigo ser\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Marina abre um mundo de possibilidades para a imagina\u00e7\u00e3o do espectador com sua decis\u00e3o de n\u00e3o trazer imagens \u00e0 tela. As palavras, transpostas no aud\u00edvel e no vis\u00edvel, se amontoam e transbordam o peso do di\u00e1logo entre as duas. O resultado \u00e9 a deforma\u00e7\u00e3o da imagem da viol\u00eancia como conhecemos, proporcionada pela n\u00e3o corporifica\u00e7\u00e3o, e a abertura de um espa\u00e7o para os espectadores se colocarem no lugar da filha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">\u201cPorque como sua m\u00e3e, eu n\u00e3o quero que voc\u00ea sofra, muito menos preconceito dos outros\u2026 que j\u00e1 basta o meu e o do seu pai.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os outros (que seria o mundo fora de casa) apoiando-se em estruturas sociais, sufocam e fazem de tudo para trancar as portas dos arm\u00e1rios. Pois ent\u00e3o, quando quem nos cria est\u00e1 do nosso lado, \u00e9 poss\u00edvel enfrentar \u201dos outros\u201d e lutar pelo que se \u00e9 com muito mais disposi\u00e7\u00e3o\/menos desgaste. Mas independente disso, quero que cada pessoa que leia este texto n\u00e3o se esque\u00e7a que n\u00e3o est\u00e1 sozinhe, e dizer para nunca desistirem de serem felizes da maneira que s\u00e3o de verdade, com quem tiverem vontade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2013 por Dante Gabriel Lima \u2013 Confesso que quando vejo uma tela em branco anseio ver algo escrito ali. 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