{"id":1969,"date":"2017-09-12T11:58:16","date_gmt":"2017-09-12T14:58:16","guid":{"rendered":"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/?p=1969"},"modified":"2017-09-13T12:26:11","modified_gmt":"2017-09-13T15:26:11","slug":"premiados-da-mostra-competitiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/2017\/09\/12\/premiados-da-mostra-competitiva\/","title":{"rendered":"Premiados da Mostra Competitiva"},"content":{"rendered":"<p>O VIII CachoeiraDoc \u2013 Festival de Document\u00e1rios de Cachoeira divulgou o resultado dos filmes premiados na Mostra Competitiva. A cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o aconteceu na noite deste s\u00e1bado, 9, no Cine Theatro Cachoeirano, em Cachoeira.<\/p>\n<p>O longa-metragem \u201cAva Yvy Vera \u2013 A Terra do Povo do Raio\u201d (Minas Gerais, 2016, 52 min.), de Genito Gomes, Valmir Gon\u00e7alves Cabreira, Jhonn Nara Gomes, Jhonatan Gomes, Edina Ximenez, Dulc\u00eddio Gomes, Sarah Brites, Joilson Brites, foi premiado pelos J\u00fari Oficial e J\u00fari Jovem.<\/p>\n<p>O J\u00fari Oficial tamb\u00e9m concedeu os pr\u00eamios de Melhor Curta-metragem para \u201cTravessia\u201d (Rio de Janeiro, 2017, 4 min.), de Safira Moreira, e duas Men\u00e7\u00f5es honrosas para \u201cCorpoStyleDanceMachine\u201d (Bahia, 2017, 7 min.), de Ulisses Arthur, e \u201cNa Miss\u00e3o, com Kadu\u201d (Minas Gerais, 2016, 28 min.), de Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito.<\/p>\n<p>J\u00e1 o J\u00fari Jovem do festival premiou como Melhor Curta-metragem os filmes \u201cA Gis\u201d (S\u00e3o Paulo, 2016, 20 min.), de Thiago Carvalhaes, e \u201cDeus\u201d (Rio Grande do Sul\/ S\u00e3o Paulo, 2016, 25 min.), de Vinicius Silva. O curta \u201cHistoriografia\u201d (S\u00e3o Paulo, 2017, 4 min.), de Amanda P\u00f3, recebeu uma Men\u00e7\u00e3o honrosa.<\/p>\n<p>Os vencedores receberam o trof\u00e9u criado pelo artista baiano Louco Filho, que presta homenagem \u00e0s irm\u00e3s da Irmandade da Boa Morte. A noite de premia\u00e7\u00e3o contou ainda com a apresenta\u00e7\u00e3o do grupo \u00c0tt\u00f8\u00f8xx\u00e1, na Pra\u00e7a Teixeira de Freitas.<\/p>\n<p>O J\u00fari Oficial \u00e9 formado pela montadora Cristina Amaral, a pesquisadora Laura Bezerra e o cr\u00edtico e pesquisador Rafael Carvalho. J\u00e1 o J\u00fari Jovem \u00e9 composto pelos alunos da UFRB \u00c1lex Santos, F\u00e1bio Rodrigues e Geilane de Oliveira.<\/p>\n<p><strong>O festival<\/strong><\/p>\n<p>O CachoeiraDoc \u2013 Festival de Document\u00e1rios de Cachoeira busca fomentar a difus\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios, assim como a discuss\u00e3o sobre o g\u00eanero, por meio de oficinas, debates, ciclo de confer\u00eancias e exibi\u00e7\u00e3o de filmes.<\/p>\n<p>Em oito edi\u00e7\u00f5es, cerca de 18 mil pessoas assistiram a mais de 325 document\u00e1rios, muitos deles in\u00e9ditos na Bahia e Brasil.<\/p>\n<p>O festival \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o da Ritos Produ\u00e7\u00f5es e do Grupo de Estudos e Pr\u00e1ticas do Document\u00e1rio, do Curso de Cinema e Audiovisual da UFRB, e conta com o apoio financeiro do Fundo de Cultura da Secretaria de Cultura da<\/p>\n<p><strong>Filmes premiados no VIII CachoeiraDoc<\/strong><\/p>\n<p>Veja o que justificou os jurados:<\/p>\n<p><em>J\u00fari oficial<\/em><\/p>\n<p>&#8220;O j\u00fari, Cristina Amaral, Laura Bezerra e Rafael Carvalho, gostaria de louvar n\u00e3o somente a qualidade dos filmes exibidos no VIII\u00a0CachoeiraDoc, mas tamb\u00e9m a aposta feita anualmente por um cinema de ponta<br \/>\nconectado com quest\u00f5es pol\u00edticas urgentes e s\u00e9rias e que revelam a personalidade forte<br \/>\ndeste festival.<\/p>\n<p><strong>Curta-metragem<\/strong><br \/>\nA imposi\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o molda a forma deste filme. Est\u00e1 impresso nele o<br \/>\ndesamparo de uma popula\u00e7\u00e3o diante da viol\u00eancia policial e do descaso governamental<br \/>\npelos direitos humanos mais b\u00e1sicos e que apontam para uma trag\u00e9dia anunciada, mas \u00e0<br \/>\nqual se resiste atrav\u00e9s do gesto de continuar filmando. O J\u00fari decide dar uma <strong>men\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>honrosa ao curta NA MISS\u00c3O, COM KADU<\/strong>, de Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro<br \/>\nMaia de Brito.<\/p>\n<p>Por outro lado,\u00a0 a busca de uma tradu\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica para o exerc\u00edcio da liberdade<br \/>\ne da alegria em um contexto reacion\u00e1rio e repressor encontra eco em forma de luz,<br \/>\nbrilho e resist\u00eancia.\u00a0 O J\u00fari concede a<strong> men\u00e7\u00e3o honrosa para<\/strong><br \/>\n<strong>CORPOSTYLEDANCEMACHINE, de Ulisses Arthur<\/strong>.<\/p>\n<p>A partir da imagem que falta na mem\u00f3ria das fam\u00edlias negras, a diretora constr\u00f3i uma<br \/>\nimagem que aponta para o presente e para o futuro. De forma simples e sofisticada,<br \/>\npo\u00e9tica e sint\u00e9tica, o filme reconstr\u00f3i la\u00e7os que foram rompidos pela viol\u00eancia da<br \/>\nescravid\u00e3o e suas consequ\u00eancias. O J\u00fari concede <strong>o pr\u00eamio de melhor curta-metragem<\/strong><br \/>\n<strong>para TRAVESSIA, de Safira Moreira<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Longa-metragem<\/strong><br \/>\nA emerg\u00eancia de novos sujeitos de cinema tem trazido \u00e0 tona filmes com uma<br \/>\nconstru\u00e7\u00e3o formal pr\u00f3pria na maneira de espelhar na tela suas quest\u00f5es.\u00a0Respeitando a<br \/>\nforma e o tempo de seu olhar os diretores abordam quest\u00f5es cruciais para o Brasil atual:<br \/>\na viol\u00eancia\u00a0em torno da terra, a destrui\u00e7\u00e3o dos biomas naturais, os assassinatos, a<br \/>\nimpunidade,\u00a0a agress\u00e3o \u00e0 vulnerabilidade de uma sabedoria\u00a0milenar. Por tudo isso e por<br \/>\nsua po\u00e9tica cinematogr\u00e1fica, o J\u00fari concede o pr\u00eamio de <strong>melhor\u00a0 longa-metragem a<\/strong><br \/>\n<strong>AVA IVY VERA &#8211; A TERRA DO POVO DO RAIO, de Genito Gomes, Valmir<\/strong><br \/>\n<strong>Gon\u00e7alves Cabreira, Jhonn Nara Gomes, Jhonatan Gomes, Edina Ximenez, Dulc\u00eddio<\/strong><br \/>\n<strong>Gomes, Sarah Brites, Joilson Brites.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><em>J\u00fari jovem<\/em><br \/>\n&#8220;N\u00f3s, \u00c1lex Antonio dos Santos, Fabio Rodrigues Filho e Geilane de Oliveira, gostar\u00edamos de agradecer ao CachoeiraDoc a oportunidade de experimentar este lugar de J\u00fari. Esta oitava edi\u00e7\u00e3o acontece em um momento dif\u00edcil do nosso pa\u00eds, especialmente desta cidade. E \u00e9 dif\u00edcil porque as desigualdades e viol\u00eancias hist\u00f3ricas parecem se intensificar e, justamente por isso, elas exigem de n\u00f3s aten\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o. Mostrar, dar a ver n\u00e3o \u00e9 suficiente. Nos filmes desta curadoria n\u00e3o poucas vezes rasga-se a imagem com o grito &#8220;filma isso, filma isso&#8221; ou &#8220;\u00e9 preciso levar uma c\u00e2mera&#8221;, ou ainda &#8220;\u00e9 preciso apontar no m\u00ednimo duas c\u00e2meras&#8221;. Estamos numa batalha de, com e por imagens. Um conflito, uma guerra que precisa de posicionamento. N\u00e3o basta ser livre, precisamos nos comprometer com a liberdade. N\u00e3o basta n\u00e3o ser racista, n\u00e3o ser machista, n\u00e3o ser lgbtfobico, \u00e9 preciso empenhar -se no anti-racismo, no anti-machismo e contra qualquer tipo de lgbtfobia. No limite n\u00e3o basta mais filmar a dor do outro, \u00e9 preciso transform\u00e1-la.<\/p>\n<p>Pensar no que a &#8220;hist\u00f3ria oficial&#8221; representa \u00e9 cruel, \u00e9 injusto. Pensar a diversidade de g\u00eanero na historiografia cl\u00e1ssica \u00e9 realmente um desafio, quando consideramos que ao longo de toda a vida a MULHER sempre foi apagada, anulada e por isso, nunca enxergada. Este curta parece ser a pr\u00f3pria experi\u00eancia deste ser mulher, ao se perceber invisibilizada e ent\u00e3o requisitar esse lugar de express\u00e3o, de puls\u00e3o que \u00e9 a sua exist\u00eancia e resist\u00eancia.\u00a0O filme que escolhemos imprime um ideal de futuro tanto por desconstruir e recontar a &#8220;hist\u00f3ria oficial&#8221;, quanto pela visibilidade da hist\u00f3ria negligenciada. O J\u00fari Jovem concede o pr\u00eamio de <strong>men\u00e7\u00e3o honrosa para o curta Historiografia, de Amanda P\u00f3<\/strong>.<\/p>\n<p>N\u00f3s do j\u00fari jovem decidimos repartir o pr\u00eamio de melhor curta-metragem em dois.\u00a0Acreditamos que o que funda esse filme tem muito a nos dizer e nos fazer acreditar no encontro transformador entre as diferen\u00e7as. Isso que o funda \u2013 o ser tocado e mobilizado \u00e0 interven\u00e7\u00e3o pela dor do outro \u2013 nos faz respirar num pouco de Poss\u00edvel. Nos faz acreditar num futuro, nos mostra que se nos juntarmos e lutarmos n\u00e3o teremos nem um pr\u00f3ximo nem uma pr\u00f3xima morta por ser diferente, nos mostra que embora \u201ctenha sido sempre assim\u201d, que pare\u00e7a normal algumas dores e que o horror pare\u00e7a sempre maior, \u00e9 Poss\u00edvel sermos tocados, \u00e9 Poss\u00edvel transformar. As imagens podem nos tocar e nos transformar, podem e devem agir num movimento contr\u00e1rio a condescend\u00eancia, a toler\u00e2ncia e ao paternalismo.\u00a0Gostar\u00edamos de anunciar um dos premiados de <strong>melhor curta-metragem foi A Gis, de Thiago Carvalhaes.<\/strong><\/p>\n<p>Um filme profundo, que traz e recria a realidade de muitos de n\u00f3s. A cada imagem me vinha lembran\u00e7as minhas. Tudo que se pode ter como referencia de car\u00e1ter, de for\u00e7a e resist\u00eancia. Resist\u00eancia essa que est\u00e1 al\u00e9m do simples e ao mesmo tempo complexo significado da palavra. O filme det\u00e9m em si uma for\u00e7a que eclode nossos corpos, ultrapassa as barreiras do real, assim como sua for\u00e7a. Numa forma de achar uma justificativa para esse pr\u00eamio, parei e olhei ao meu redor, meu contexto de vida, o meu real e percebi que ao mesmo tempo que ele atravessa tudo ao nosso redor, ele estava ali na minha casa, nossas casas, minha av\u00f3, nossas av\u00f3s, minha m\u00e3e, nossas m\u00e3es, minha tia, nossas tias e ali n\u00f3s do J\u00fari Jovem da oitava edi\u00e7\u00e3o do CachoeiraDoc vimos DEUS, e ele \u00e9 uma mulher preta. O filme\u00a0<strong>Deus, de Vinicius Silva,<\/strong> tamb\u00e9m ganha pr\u00eamio de<strong> melhor curta-metragem.<\/strong><\/p>\n<p>O filme que escolhemos nos mostra que as categorias e crit\u00e9rios de an\u00e1lises dominantes n\u00e3o nos servem mais. Esse filme nos olha de uma outra forma e nos toma, nos irrompe e nos exige uma outra postura diante da hist\u00f3ria, do presente e da necessidade de interven\u00e7\u00e3o e cren\u00e7a num outro futuro. Nada nesse filme est\u00e1 ileso da mem\u00f3ria que \u00e9 mobilizada e nem das demandas e dores de quem o filme e de quem \u00e9 filmado. Entre muitos brilhos e luzes, esse filme se mistura para criar o novo, o Poss\u00edvel, o real. Esse filme nos desloca, tira nosso ch\u00e3o e disputa pela mem\u00f3ria do seu povo, pelos seus direitos, e pela constru\u00e7\u00e3o de si atrav\u00e9s e com as imagens.\u00a0Por nos mostrar que o cinema n\u00e3o pode pouco; pelo processo que funda e expande esse filme; pelo compromisso com a vida, com a terra e com o cinema; pelo encontro transformador do raio com a imagem, n\u00f3s do j\u00fari jovem com o imenso prazer, premiamos como <strong>melhor longa-metragem<\/strong> da oitava edi\u00e7\u00e3o do Cachoeira Doc o filme <strong>Ava Yvy Vera: O povo da terra do raio<\/strong>.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O VIII CachoeiraDoc \u2013 Festival de Document\u00e1rios de Cachoeira divulgou o resultado dos filmes premiados na Mostra Competitiva. A cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o aconteceu na noite deste s\u00e1bado, 9, no Cine Theatro Cachoeirano, em Cachoeira. O longa-metragem \u201cAva Yvy Vera \u2013 A Terra do Povo do Raio\u201d (Minas Gerais, 2016, 52 min.), foi premiado pelos J\u00fari Oficial e J\u00fari Jovem.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1971,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1969"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1969"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1969\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1999,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1969\/revisions\/1999"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1971"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2017\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}