{"id":4070,"date":"2016-08-17T21:26:25","date_gmt":"2016-08-18T00:26:25","guid":{"rendered":"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2016\/?page_id=4070"},"modified":"2016-08-26T09:02:36","modified_gmt":"2016-08-26T12:02:36","slug":"mostra-contemporanea","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2016\/mostra-contemporanea\/","title":{"rendered":"Mostra Contempor\u00e2nea"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><b>Olhar o breu na imensid\u00e3o do escuro<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Ana Rosa Marques<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo em desordem.\u00a0 O corpo sob muitas ordens. Que formatam, controlam e negociam vidas e modos de ser, estar e existir. Uma for\u00e7a obscura tenta arrumar \u00e0 for\u00e7a aquilo que resiste \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o e enquadramento. Da jovem que n\u00e3o se encaixa nos padr\u00f5es de beleza vigentes ao quilombola que mant\u00e9m sua ro\u00e7a autossustent\u00e1vel, tudo o que n\u00e3o seja uniforme, previs\u00edvel, obediente e especialmente vend\u00e1vel ser\u00e1 afastado. Contra os drag\u00f5es que cospem as chamas de diversos tipos de maldade, as pessoas apresentam suas armas: o corpo, a palavra, a imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ao cinema, o que cabe fazer? Como diz o fil\u00f3sofo italiano Agamben, o poeta, e a ele podemos aproximar o cineasta, deve arregalar os olhos, ver o seu tempo e enxergar n\u00e3o as luzes, mas o escuro. A Mostra Contempor\u00e2nea re\u00fane curtas que iluminam \u00e0 sua maneira essas trevas para onde nos levaram o patriarcado, o machismo, o preconceito, a gan\u00e2ncia, o autoritarismo.\u00a0 Agrupamo-os\u00a0 em quatro programas:\u00a0<strong>G\u00eanero \u2013 a pele que vestimos<\/strong>,\u00a0<strong>Espa\u00e7os em<\/strong>\u00a0<strong>Disputa<\/strong>,\u00a0<strong>O fim e o (re)come\u00e7o do mundo<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Bahia: ru\u00ednas em constru\u00e7\u00e3o<\/strong>.\u00a0 Com os filmes seguimos para dentro e para fora do cinema, indo tamb\u00e9m \u00e0s escolas e comunidades de Cachoeira e S\u00e3o F\u00e9lix.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em G\u00eanero, a pele que vestimos, quatro obras destacam a luta das mulheres e trans, certamente uns dos movimentos mais aguerridos do Brasil contempor\u00e2neo, ao mesmo tempo que florido, po\u00e9tico e lindamente purpurinado. Pessoas que, diante da c\u00e2mera, de um espelho, de um campo de futebol, em manifesta\u00e7\u00f5es ou no simples cotidiano n\u00e3o hesitam em defender seus direitos e afirmar a autonomia sobre o seu pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como os corpos, os espa\u00e7os encontram-se tamb\u00e9m em disputa. Na cidade maravilha, na cidade monumento ou num para\u00edso ecol\u00f3gico, as popula\u00e7\u00f5es enfrentam proibi\u00e7\u00f5es e perigos para exercer os direitos mais b\u00e1sicos de qualquer cidad\u00e3o como atravessar um beco ou parir. S\u00e3o como seres invis\u00edveis aos olhos do poder que os enxergam apenas como entraves aos seus projetos e interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos. N\u00e3o entendem que os lugares pertencem a quem os nutre de arte, hist\u00f3rias, sonhos e vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sinais dados pela natureza nos fazem acreditar que chegamos ao ponto m\u00e1ximo de devasta\u00e7\u00e3o da Terra. Por onde andam as andorinhas, o lobo-guar\u00e1, o mico-le\u00e3o-dourado, as estrelas e ouri\u00e7os do mar? E o pau-brasil, o jequitib\u00e1 e a imbuia? E os \u00edndios Jumas ou Carij\u00f3s? Extintos ou amea\u00e7ados pelo desmatamento, polui\u00e7\u00e3o ou avan\u00e7o das fronteiras agr\u00edcolas.\u00a0 Mas a ambi\u00e7\u00e3o do homem tem um pre\u00e7o a se pagar, acreditam os Maxacalis e, quem sabe, ap\u00f3s o grande dil\u00favio as esperan\u00e7as se renovem? Entre O fim e o (re) come\u00e7o do<strong>\u00a0<\/strong>mundo,<strong>\u00a0<\/strong>h\u00e1 quem resista \u00e0s press\u00f5es sobre os modos de vida mais solid\u00e1rios e em respeito ao meio ambiente, como os pescadores e camponeses, que cultivam n\u00e3o apenas um of\u00edcio, mas um ritmo, uma cultura e um outro universo de valores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto isso, na terra da felicidade prometida, os respons\u00e1veis pela administra\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o das cidades carregam e apontam suas pistolas reais ou simb\u00f3licas contra a popula\u00e7\u00e3o e em defesa de interesses privados. Montados em retroescavadeiras, viaturas ou cavalos, avan\u00e7am sobre os espa\u00e7os da nossa hist\u00f3ria, dos afetos e da sobreviv\u00eancia. Sob os escombros ou t\u00famulos, encenam um teatro farsesco ambientado em Miami ou Dubai e nos levam cada vez mais para perto de Canudos ou Palestina. Sorria, voc\u00ea est\u00e1 na Bahia: ru\u00ednas em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olhar o breu na imensid\u00e3o do escuro Ana Rosa Marques O mundo em desordem.\u00a0 O corpo sob muitas ordens. Que formatam, controlam e negociam vidas e modos de ser, estar e existir. Uma for\u00e7a obscura tenta arrumar \u00e0 for\u00e7a aquilo que resiste \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o e enquadramento. 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