{"id":2112,"date":"2015-09-04T20:47:56","date_gmt":"2015-09-04T23:47:56","guid":{"rendered":"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/?p=2112"},"modified":"2015-09-04T20:47:56","modified_gmt":"2015-09-04T23:47:56","slug":"entrevista-com-a-diretora-fernanda-fontes-vareille-de-a-loucura-entre-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/entrevista-com-a-diretora-fernanda-fontes-vareille-de-a-loucura-entre-nos\/","title":{"rendered":"Entrevista com a diretora Fernanda Fontes Vareille, de \u201cA loucura entre n\u00f3s\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"vc_row wpb_row vc_row-fluid\"><div class=\"wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12\"><div class=\"wpb_wrapper\">\n\t<div class=\"wpb_text_column wpb_content_element \">\n\t\t<div class=\"wpb_wrapper\">\n\t\t\t<p><strong><a href=\"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_9164.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-2111 size-large\" src=\"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_9164-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_9164\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_9164-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_9164-300x200.jpg 300w, https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_9164-787x524.jpg 787w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como foi sua aproxima\u00e7\u00e3o com o Hospital psiqui\u00e1trico Juliano Moreira e como a viv\u00eancia lhe ajudou nas estrat\u00e9gias de abordagem<\/strong>?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu tive a oportunidade de ler um livro do psicanalista Marcelo Veras, que conta a sua experi\u00eancia como diretor do Hospital Juliano Moreira. Ele foi diretor do hospital durante 10 anos e escreveu esse livro. Ele fala que essa escrita foi o seu luto. Numa conversa, Veras me apresentou o Criamundo, uma institui\u00e7\u00e3o que na \u00e9poca da filmagem ficava dentro do hospital Juliano Moreira. Quando ele me apresentou o hospital, eu vi que era uma excelente oportunidade de conhecer melhor aquele mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Comecei com uma equipe bem reduzida: Amanda Gracioli, que \u00e9 a produtora, Gabriel Teixeira, o diretor de fotografia, Jo\u00e3o Tatu, t\u00e9cnico de som. \u00cdamos de manh\u00e3 cedo e pass\u00e1vamos o dia no hospital. No in\u00edcio, no primeiro m\u00eas conhecendo as pessoas, muitas vezes n\u00e3o film\u00e1vamos nada. Pass\u00e1vamos dias e dias com a c\u00e2mera desligada, \u00e0s vezes lig\u00e1vamos a c\u00e2mera, mas nada acontecia. Realmente quer\u00edamos conhecer aquele lugar com profundidade, nos apropriar daquele lugar, daquele mundo, conhecendo as subjetividades daquelas pessoas de uma forma intensa. Por isso escolhemos esse m\u00e9todo de imers\u00e3o no hospital.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por se tratar de um filme dentro de um hospital psiqui\u00e1trico, a clausura tanto f\u00edsica quanto social \u00e9 uma quest\u00e3o do processo. Quais os desafios de filmar esses corpos limitados<\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os desafios v\u00e3o desde as quest\u00f5es pr\u00e1ticas, de como entrar no hospital e ter acesso aquele mundo e pessoas, at\u00e9 os nossos desafios internos, nosso psicol\u00f3gico, de nos conhecermos, de nos descobrimos. Foi uma autodescoberta para n\u00f3s todos. O filme trazia quest\u00f5es, vendo aquele mundo e ouvindo aquelas entrevistas, vendo aquela realidade, isso tudo nos fazia questionar sobre as nossas pr\u00f3prias experi\u00eancias, sobre as nossas pr\u00f3prias quest\u00f5es, sobre as nossas pr\u00f3prias loucuras. Ent\u00e3o, acho que a viv\u00eancia em si, dessa maneira t\u00e3o intensa, foi o maior desafio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ora a c\u00e2mera est\u00e1 protegida pela grade, ora est\u00e1 no corredor do hospital entre os enfermos, todos agrupados andando em frente \u00e0 c\u00e2mera. Como funcionou esse tr\u00e2nsito entre estar protegido e estar exposto<\/strong>?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa cena (a do corredor), ironicamente onde mostramos o interior, que na verdade \u00e9 o exterior do Criamundo &#8211; mas o mais interior do hospital -, foi feita no primeiro dia de filmagem. Est\u00e1vamos com o olhar bem ing\u00eanuo ainda, bem virgem, e Eliz\u00e2ngela, que \u00e9 a personagem principal, nos levou e n\u00f3s a seguimos. Essa sequ\u00eancia, no original, \u00e9 um plano sequ\u00eancia de vinte minutos, e foi conduzida naturalmente por ela e pelas pessoas que queriam ser filmadas e atravessavam a nossa c\u00e2mera.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea consegue o acesso ao universo de duas personagens femininas de realidades diferentes. Como foi a negocia\u00e7\u00e3o da mise-en-sc\u00e8ne com ambas<\/strong>?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi bem diferente uma da outra. Leonor teve uma resist\u00eancia no in\u00edcio, n\u00e3o mostrava uma abertura. N\u00e3o que ela n\u00e3o quisesse, \u00e9 que n\u00e3o estava t\u00e3o aberta para participar das filmagens. Depois de algum tempo, resolveu dar algumas entrevistas, mas no final j\u00e1 estava superaberta e queria muito fazer parte do filme. Ela pedia para ser entrevistada e aquilo ali acabou se tornando natural. Eu diria assim: foi quase como uma amizade, sendo constru\u00edda pouco a pouco, ganhando confian\u00e7a. J\u00e1 Eliz\u00e2ngela, desde o in\u00edcio queria fazer parte da filmagem, queria ser filmada e estava pronta sempre, bem-receptiva \u00e0 c\u00e2mera.<\/p>\n<p>Texto e entrevista: Ulisses Arthur<\/p>\n<p>Foto: Geovane Peixoto<\/p>\n\n\t\t<\/div>\n\t<\/div>\n<\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretora concorre na Mostra Competitiva do VI CachoeiraDoc<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2111,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,46],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2112"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2112"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2113,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2112\/revisions\/2113"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2111"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}