{"id":1710,"date":"2015-08-16T18:40:44","date_gmt":"2015-08-16T21:40:44","guid":{"rendered":"http:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/?page_id=1710"},"modified":"2015-08-16T22:58:40","modified_gmt":"2015-08-17T01:58:40","slug":"homeland-iraq-year-zero-terra-natal-iraque-ano-zero","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/sessoes-especiais\/homeland-iraq-year-zero-terra-natal-iraque-ano-zero\/","title":{"rendered":"Homeland: Iraq Year Zero \/ Terra natal : Iraque ano zero"},"content":{"rendered":"<div class=\"vc_row wpb_row vc_row-fluid\"><div class=\"wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12\"><div class=\"wpb_wrapper\"><div\n\tclass=\"wpb_images_carousel wpb_content_element vc_clearfix\">\n\t<div class=\"wpb_wrapper\">\n\t<div id=\"vc_images-carousel-1-1782808784\" data-ride=\"vc_carousel\"\n\t     data-wrap=\"true\" style=\"width: 1050px;\"\n\t     data-interval=\"4000\" data-auto-height=\"yes\"\n\t     data-mode=\"horizontal\" data-partial=\"false\"\n\t     data-per-view=\"1\"\n\t     data-hide-on-end=\"false\" class=\"vc_slide vc_images_carousel\">\n\t\t\t\t\t<!-- Indicators -->\n\t\t\t<ol class=\"vc_carousel-indicators\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<li data-target=\"#vc_images-carousel-1-1782808784\" data-slide-to=\"0\"><\/li>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<li data-target=\"#vc_images-carousel-1-1782808784\" data-slide-to=\"1\"><\/li>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/ol>\n\t\t\t\t<!-- Wrapper for slides -->\n\t\t<div class=\"vc_carousel-inner\">\n\t\t\t<div class=\"vc_carousel-slideline\">\n\t\t\t\t<div class=\"vc_carousel-slideline-inner\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"vc_item\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"vc_inner\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a class=\"prettyphoto\"\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t   href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/homeland_iraq_year_zero_11-1024x576.jpg\"  rel=\"prettyPhoto[rel-1710-1511400791]\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img class=\"\" src=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/homeland_iraq_year_zero_11-1050x300.jpg\" width=\"1050\" height=\"300\" alt=\"Homeland\" title=\"Homeland\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"vc_item\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"vc_inner\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a class=\"prettyphoto\"\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t   href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/img.jpg\"  rel=\"prettyPhoto[rel-1710-1511400791]\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img class=\"\" src=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2015\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/img-650x300.jpg\" width=\"650\" height=\"300\" alt=\"img\" title=\"img\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<!-- Controls -->\n\t\t\t<a class=\"vc_left vc_carousel-control\" href=\"#vc_images-carousel-1-1782808784\" data-slide=\"prev\">\n\t\t\t\t<span class=\"icon-prev\"><\/span>\n\t\t\t<\/a>\n\t\t\t<a class=\"vc_right vc_carousel-control\" href=\"#vc_images-carousel-1-1782808784\" data-slide=\"next\">\n\t\t\t\t<span class=\"icon-next\"><\/span>\n\t\t\t<\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t<\/div>\n\t<\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"vc_row wpb_row vc_row-fluid\"><div class=\"wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12\"><div class=\"wpb_wrapper\"><h4 class=\"box_header\">Iraque\/Fran\u00e7a, 2015 334 min.<\/h4>\n\t<div class=\"wpb_text_column wpb_content_element \">\n\t\t<div class=\"wpb_wrapper\">\n\t\t\t<p style=\"text-align: right;\">Medir a resili\u00eancia de um povo<br \/>\nTexto de Victor Guimar\u00e3es,\u00a0publicado originalmente (em espanhol) na cobertura do IV Festival Olhar de Cinema para a revista Desistfilm.<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Ana Rosa Marques<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 extremamente dif\u00edcil se referir a <strong>Homeland<\/strong> como um filme. Nome\u00e1-lo assim \u00e9 afirmar que essa exist\u00eancia pertenceria \u00e0 mesma esp\u00e9cie ou categoria ontol\u00f3gica de um <strong>Jurassic World<\/strong> ou um filme como <strong>Soft in the Head<\/strong> de Nathan Silver <u>(<\/u>visto aqui no Olhar de Cinema)<u>.<\/u> Certamente n\u00e3o \u00e9 o caso. A obra monumental de Abbas Fahdel &#8211; e a experi\u00eancia absolutamente inesquec\u00edvel que \u00e9 estar na frente da tela por pouco mais de cinco horas e meia \u2013 pertence a um conjunto muito limitado e preciso de obras da humanidade, entre as quais eu citaria <strong>Os Desastres da Guerra<\/strong> de Goya, <strong>Guernica <\/strong>de Picasso, <strong>Noite e Neblina<\/strong> de Resnais e <strong>A<\/strong> <strong>Oeste dos Trilhos<\/strong> de Wang Bing. O que une estas materialidades t\u00e3o distintas n\u00e3o \u00e9 apenas o dado de que sejam obras-primas ou at\u00e9 mesmo o fato de que todas tenham levado anos para se completar. Isso tamb\u00e9m conta, mas o que realmente conecta essas obras \u00e9 o fato de que todas s\u00e3o figura\u00e7\u00f5es t\u00e3o potentes, formalmente \u00edntegras e irrepet\u00edveis da aniquila\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel olhar para uma pintura, um filme ou um homem da mesma maneira depois de entrar em contato com elas.<br \/>\n<strong>Homeland <\/strong>\u00e9 dividido em duas partes: antes e depois da invas\u00e3o do Iraque pelos EUA em 2003 (o intervalo equivale ao momento dos bombardeios em Bagd\u00e1, que n\u00e3o vemos). Na primeira parte, o diretor filma de forma muito pr\u00f3xima sua numerosa fam\u00edlia de classe m\u00e9dia, enquanto seus entes queridos se preparam para o que est\u00e1 por vir. Os adultos compram lanternas e armazenam alimentos, enquanto as crian\u00e7as se esmeram em cuidar do po\u00e7o (faltar\u00e1 \u00e1gua e \u00e9 necess\u00e1rio escavar o solo do jardim). H\u00e1 apreens\u00e3o e, especialmente, resili\u00eancia: ningu\u00e9m se desespera, todos reagem com uma for\u00e7a inomin\u00e1vel \u00e0 guerra que se aproxima.<br \/>\nA imagem de Saddam Hussein \u00e9 onipresente na televis\u00e3o: em videoclipes dignos dos karaok\u00eas de Jia Zhangke, o ditador aparece como l\u00edder, her\u00f3i, pai, divindade, estrela pop, imagem de prote\u00e7\u00e3o de tela. A fam\u00edlia assiste TV e se cala, mas j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel sentir a densidade do sil\u00eancio e imaginar o que se esconde por detr\u00e1s dos olhares. O papel da televis\u00e3o nos di\u00e1rios de Perlov ressoa nessas sequ\u00eancias, mas apontar uma refer\u00eancia cinematogr\u00e1fica \u00e9 algo demasiado f\u00fatil aqui.<br \/>\nO homem com a c\u00e2mera quase n\u00e3o faz perguntas, mas o olhar n\u00e3o \u00e9 observacional: ele provoca as pessoas, prepara a cena com a mesma aten\u00e7\u00e3o que o torna pronto a se posicionar frente aos devires do real. Seu sobrinho Haidar &#8211; um menino de doze anos que se tornar\u00e1 protagonista e permanecer\u00e1 para sempre em nossa mem\u00f3ria &#8211; atira frutas do terra\u00e7o para os seus colegas na rua e afirma: &#8220;assim n\u00e3o haver\u00e1 mais frutas, tio&#8221;, como se rejeitasse o jogo proposto. Apesar do horror da situa\u00e7\u00e3o, a mise en sc\u00e8ne \u00e9 divertida, n\u00e3o se deixa capturar pela tristeza. H\u00e1 di\u00e1logos apreensivos, mas h\u00e1 tamb\u00e9m as bonitas luzes do anivers\u00e1rio no terra\u00e7o e as cores de cada prato no almo\u00e7o dominical. Abbas Fahdel aposta na alegria com o mesmo \u00edmpeto com que rejeita o sentimentalismo: com uma coer\u00eancia formal impec\u00e1vel, que atravessa todas as escolhas (n\u00e3o h\u00e1 sequer uma nota musical na trilha sonora que seja externa \u00e0 cena).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 desespero porque a guerra de 1991 n\u00e3o terminou para o povo iraquiano. O embargo econ\u00f4mico faz o seu trabalho lento de destrui\u00e7\u00e3o h\u00e1 duas d\u00e9cadas e todo o pa\u00eds \u00e9 um amontoado de ru\u00ednas, como aquelas na bel\u00edssima cidade de Hit, onde as crian\u00e7as brincam com armas de pl\u00e1stico. Sobre as ru\u00ednas tudo se torna alegoria e talvez n\u00e3o haja um momento t\u00e3o forte como aquele em que o menino come\u00e7a a trocar a fita isolante da janela (para evitar que se parta e os peda\u00e7os de vidro voem pela casa). A da \u00faltima guerra ainda est\u00e1 l\u00e1 e a fita torna-se uma met\u00e1fora de um pa\u00eds que nunca se recuperou da \u00faltima cat\u00e1strofe e j\u00e1 tem de enfrentar a pr\u00f3xima.<br \/>\nA conviv\u00eancia da fam\u00edlia e os jogos infantis s\u00e3o c\u00e1lidos e cheios de paix\u00e3o, mas a encena\u00e7\u00e3o e a montagem s\u00e3o duras, secas, implac\u00e1veis. Em toda a primeira parte, o trabalho da c\u00e2mera parece ser o de um instrumento que tem a ver com a f\u00edsica: medir a resili\u00eancia das janelas, das paredes, das mulheres, dos homens e das crian\u00e7as. A dureza \u00e9 refletida em uma escolha surpreendente e assombrosa: num dado momento, ainda antes do intervalo, um letreiro informa que o protagonista morrer\u00e1 em poucos anos, antes de completar os quinze.<br \/>\n\u00c9 ent\u00e3o que percebemos que tudo o que vemos se trata de uma melanc\u00f3lica elegia. O ritmo da montagem torna-se mais lento, como se fosse necess\u00e1rio demorar-se na cor de cada refei\u00e7\u00e3o, em cada canto da casa, em cada rosto, antes que tudo desapare\u00e7a para sempre. A vida pulsa e acompanhamos sua respira\u00e7\u00e3o na tela, mas o document\u00e1rio se aproxima do seu limite mais extremo: filmar a morte j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel em grande medida porque os personagens j\u00e1 est\u00e3o mortos, j\u00e1 se tornaram fantasmas. A sombra da morte \u00e9 invis\u00edvel, mas se projeta inevitavelmente sobre o rosto do menino que sorri e zomba da irm\u00e3.<br \/>\nMesmo o que n\u00e3o se mostra \u00e9 extraordin\u00e1rio. O tempo sem imagens do intervalo entre uma parte e a outra n\u00e3o poderia ser mais afirmativo. As imagens da guerra j\u00e1 vimos na TV e sabemos que elas s\u00e3o um ac\u00famulo de clich\u00eas e que se assemelham ao videogame. Imaginar o horror n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil. J\u00e1 foi filmado in\u00fameras vezes e sempre tem gosto de sangue e cheiro de queimado. N\u00e3o \u00e9 preciso mostrar uma vez mais o que a gigantesca m\u00e1quina de guerra norte-americana \u00e9 capaz de fazer: para isso existe o jornalismo e as s\u00e9ries de televis\u00e3o no pior dos casos, e no melhor, os filmes de Brian de Palma, Kathryn Bigelow e Clint Eastwood. Mas mesmo <strong>The Hurt Locker<\/strong> e <strong>American Sniper<\/strong> parecem fr\u00edvolos diante de <strong>Homeland<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda parte come\u00e7a e tudo muda depois dessa elipse, uma das mais fortes da hist\u00f3ria do cinema. Os ocupantes norte-americanos est\u00e3o em toda parte e o que era uma ponte que levava \u00e0 casa do av\u00f4 se tornou &#8220;territ\u00f3rio militar&#8221;. O estado de exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o novo reino. Os soldados podem tudo e nada acontece: assediam, perseguem, matam e o direito e a lei s\u00e3o uma piada. O que era uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio popular tornou-se um monte de ferro e concreto e a conven\u00e7\u00e3o internacional que pro\u00edbe o ataque contra as r\u00e1dios \u00e9 mais uma nota de rodap\u00e9 esquecida pela hist\u00f3ria.<br \/>\nO menino que sorria e brincava contente com seus primos tornou-se um adulto precoce. Seu olhar \u00e9 agora s\u00e9rio e cheio de uma revolta profunda. Os bate-papos alegres com seus irm\u00e3os deram lugar a uma inimagin\u00e1vel discuss\u00e3o acalorada com um traficante de armas fiel a Saddam. Atirar frutas na rua faz parte de um passado distante; o garoto agora se rebela contra os pais porque n\u00e3o pode disparar a metralhadora para comemorar a morte dos filhos do ditador com seus vizinhos. O que era ternura agora \u00e9 \u00f3dio e sangue nos olhos.<br \/>\nA forma tamb\u00e9m muda radicalmente. O que era registro do cotidiano da fam\u00edlia torna-se reportagem e peregrina\u00e7\u00e3o pelas ruas, bairros, novas ru\u00ednas que substituem as antigas. A observa\u00e7\u00e3o d\u00e1 lugar \u00e0 entrevista e \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o inflamada. A c\u00e2mera que era paciente e delicada se converte em megafone multitudin\u00e1rio: mal chega a um bairro, as pessoas se aglomeram em torno do cineasta, prontas a disparar mais um testemunho sombrio sobre as a\u00e7\u00f5es dos militares. H\u00e1 desaparecidos, vizinhan\u00e7as\u00a0 inteiras destru\u00eddas por m\u00edsseis, mulheres e homens que choram e gritam por alguma ajuda. O inferno \u00e9 cinza, sujo e tem a cor da poeira do deserto. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m aqueles in\u00fameros retratos de crian\u00e7as, adultos e velhos iraquianos que nos olham\u00a0 com um sorriso e preenchem toda a dura\u00e7\u00e3o do <strong>Homeland<\/strong>. O povo \u00e9 o que continua a surgir em cada olhar.<br \/>\n&#8220;A vida era melhor antes do petr\u00f3leo&#8221;, diz um deles. Um comunista lembra-se que Saddam converteu o povo iraquiano em uma multid\u00e3o de esquizofr\u00eanicos: a censura fazia com que a pessoa fosse uma no trabalho e outra em casa; uma pessoa por fora e outra por dentro. O irm\u00e3o do cineasta explica que a guerra criou um enorme ex\u00e9rcito de saqueadores, sempre dispostos a agir nesse enorme caos que d\u00e1 lugar \u00e0 viol\u00eancia cotidiana. E se tudo mudou \u00e9 apenas para continuar igual: a amea\u00e7a aos advers\u00e1rios do governo anterior persiste na revolta desse homem pobre que recolhe lixo em uma carreta e se pergunta por que os soldados sempre lhe apontam as armas gratuitamente; as valas comuns da ditadura perduram no tiro an\u00f4nimo na rua, matando um jovem que levava uma pe\u00e7a sobressalente para ajudar o vizinho e nunca ser\u00e1 investigado.<br \/>\nA desesperan\u00e7a \u00e9 brutal, mas as piadas ainda est\u00e3o presentes: todos se burlam da professora integrante do partido Baath que pediu aos alunos para rasgarem &#8220;com respeito&#8221; a foto de Saddam contida no livro did\u00e1tico. Esses homens e mulheres (os que ficaram) encontram energia onde h\u00e1 apenas destrui\u00e7\u00e3o e a resili\u00eancia desse povo parece eterna. Mas a vida do menino, a vida \u00fanica e irrepet\u00edvel desse menino, n\u00e3o \u00e9. N\u00f3s j\u00e1 sab\u00edamos, mas nem mesmo a integridade est\u00e9tica inesgot\u00e1vel de Abbas Fahdel tinha nos preparado para esse momento da noite em que se escuta um disparo, um grito e um corte seco nos leva a uma fotografia mortu\u00e1ria na parede. A essa fotografia e ao sil\u00eancio mais denso que experimentei na vida ao sair de uma sala de cinema. Depois das cinco horas e meia de Homeland, os mortos-vivos somos n\u00f3s.<br \/>\n<strong style=\"line-height: 1.5;\">Homeland: Iraq Year Zero \/ Terra natal : Iraque ano zero<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iraque\/Fran\u00e7a, 2015 334 min.<br \/>\nDe\u00a0 Abbas Fahdel<br \/>\nDia 6\/9, \u00e0s 13h30 e \u00e0s 16h30<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cr\u00f4nicas do cotidiano no Iraque antes e depois da invas\u00e3o Norte-americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte I: Antes da queda (160 min.)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dia 6\/9, \u00e0s 13h30<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante v\u00e1rios meses o diretor filmou um grupo de iraquianos, na sua maioria membros de sua pr\u00f3pria fam\u00edlia, em suas expectativas sobre a guerra. Essa primeira parte do filme se encerra com o in\u00edcio dos ataques norte-americanos \u00e0 Bagd\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte II: Ap\u00f3s a batalha (174 min.)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dia 6\/9, \u00e0s 16h30<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os americanos invadem o Iraque, e o filme mostra as consequ\u00eancias dessa invas\u00e3o no cotidiano dos personagens.<\/p>\n\n\t\t<\/div>\n\t<\/div>\n<\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Iraque\/Fran\u00e7a, 2015 334 min. Medir a resili\u00eancia de um povo Texto de Victor Guimar\u00e3es,\u00a0publicado originalmente (em espanhol) na cobertura do IV Festival Olhar de Cinema para a revista Desistfilm. Tradu\u00e7\u00e3o: Ana Rosa Marques \u00c9 extremamente dif\u00edcil se referir a Homeland como um filme. 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