{"id":77,"date":"2014-07-27T11:52:40","date_gmt":"2014-07-27T14:52:40","guid":{"rendered":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=77"},"modified":"2014-08-23T09:48:59","modified_gmt":"2014-08-23T12:48:59","slug":"mostra-competitiva","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=77","title":{"rendered":"Mostra Competitiva"},"content":{"rendered":"<div class=\"panel-grid\" id=\"pg-77-0\"><div class=\"panel-grid-core\"><div class=\"panel-grid-cell\" id=\"pgc-77-0-0\" ><p style=\"text-align: right;\"><b>Por que navegar?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><i>texto de Ana Rosa Marques<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta da Mostra Competitiva reflete-se nas \u00e1guas do Paragua\u00e7u, rio que banha a cidade de Cachoeira. De margens f\u00e9rteis e curso naveg\u00e1vel, era por a\u00ed que no passado o Rec\u00f4ncavo transportava suas riquezas e se comunicava com outros lugares. Hoje, a regi\u00e3o tem mais caminhos para se conectar ao mundo. E eles atravessam tamb\u00e9m a tela do cinema. Uma tela que no Cachoeiradoc ser\u00e1 abundante de ideias, afetos, reflex\u00f5es e encontros como a vida que emerge do Paragua\u00e7u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A linha curatorial da mostra, em todas as edi\u00e7\u00f5es do festival, se baseia numa concep\u00e7\u00e3o de cinema que se arrisque em testar novas formas de interagir e falar sobre a realidade, livre de f\u00f3rmulas, pr\u00e1ticas e ideias prontas sobre o pr\u00f3prio o cinema e o mundo. Um olhar para vida que seja inventivo, mas ao mesmo tempo preocupado e\u00a0engajado com o que acontece nela. Esse princ\u00edpio norteador foi desenvolvido e \u00e9 constantemente aprofundado no Grupo de Pesquisas e Pr\u00e1ticas do Document\u00e1rio da UFRB. Grupo que a cada ano conta com novos tripulantes, com diversas e instigantes perspectivas e quest\u00f5es, o que transforma a \u00e1rdua tarefa de selecionar as centenas de obras que chegam at\u00e9 n\u00f3s numa tarefa muito prazerosa e estimulante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui reunimos seis longas-metragens e 13 curtas de v\u00e1rias partes do pa\u00eds. S\u00e3o obras de diferentes est\u00e9ticas, pontos de vista e tem\u00e1ticas que representam a multiplicidade e a renova\u00e7\u00e3o que atualmente se v\u00ea no document\u00e1rio. Seus realizadores s\u00e3o corajosos marinheiros que trilham caminhos alternativos no campo documental, enfrentando os riscos inerentes \u00e0 aventura de se explorar os mist\u00e9rios e a imprevisibilidade do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cBranco sai, preto fica\u201d, \u201cO ponto cego\u201d e \u201cA gente\u201d,<b> <\/b>h\u00e1 uma interessante revela\u00e7\u00e3o das diversas pr\u00e1ticas de vigiar e punir empreendidas pela sociedade e pelo Estado. Esse conjunto de obras diverge do mero denuncismo encontrado em outras formas da n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o ao n\u00e3o oferecer um discurso com respostas fechadas e f\u00e1ceis. Al\u00e9m disso, s\u00e3o mais ousados esteticamente. O primeiro e o segundo se apropriam de estrat\u00e9gias narrativas t\u00edpicas da fic\u00e7\u00e3o. O terceiro observa um personagem pouco visto e ouvido em quest\u00f5es j\u00e1 t\u00e3o debatidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o document\u00e1rio estimula nosso desejo de saber e conhecer e pode nos dizer algo sobre a complexa experi\u00eancia de viver em sociedade, que aprendamos a ser provocativos como os diretores de \u201cO arquip\u00e9lago\u201d, \u201cO porto\u201d e \u201cE\u201d. Mas <i>sin perder la ternura<\/i> e o entusiasmo com as descobertas e viv\u00eancias observadas em \u201cPerto da minha casa\u201d e \u201cKarioka\u201d. Com um olhar c\u00e9tico ou curioso, esses filmes abordam a vida nos grandes agrupamentos urbanos, uma quest\u00e3o mais que urgente na contemporaneidade, e posicionam-se diante de como a gest\u00e3o da cidade interfere na exist\u00eancia das pessoas, em suas rela\u00e7\u00f5es e subjetividades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma interfer\u00eancia na administra\u00e7\u00e3o da vida que muitas vezes pode atravessar o tempo e forjar a Hist\u00f3ria, como podemos ver na constitui\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de um bairro marcado pela escravid\u00e3o em \u201cCaixa-d\u2019\u00e1gua: Qui-lombo \u00e9 esse?\u201d e na domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de um Estado por uma \u00fanica fam\u00edlia, como observamos em \u201cLu\u00edses - Solrealismo maranhense\u201d. Contra as injusti\u00e7as, o document\u00e1rio reage com a releitura e reescritura da Hist\u00f3ria, afirmando ou revelando outros protagonistas e vozes discursivas, seja o povo negro que cultiva suas tradi\u00e7\u00f5es e valores, sejam os jovens cineastas nordestinos que, diante da falta de incentivo \u00e0 cultura na regi\u00e3o, re\u00fanem-se e buscam de maneira urgente, desesperada e quase ut\u00f3pica viabilizar um cinema independente, cr\u00edtico e criativo. Resist\u00eancia a toda forma de opress\u00e3o na pol\u00edtica e na arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resistir ao que \u00e9 imposto e arriscar para ser livre. \u00c9 especialmente no sentido da experimenta\u00e7\u00e3o que o curta-metragem mostra-se como um formato propenso \u00e0 pesquisa de linguagem. Reunidos num programa bastante diversificado tematicamente, os curtas \u201cContos da mar\u00e9\u201d, \u201cNot\u00edcias da rainha\u201d, \u201cA que deve a honra da ilustre visita este simples marqu\u00eas?\u201d, \u201cAs \u00e1guas\u201d, \u201cMalha\u201d e \u201cO canto da lona\u201d buscam se fertilizar com ingredientes vindos do teatro, do cinema de fic\u00e7\u00e3o e do cinema experimental. Desta maneira, atrav\u00e9s das sensa\u00e7\u00f5es e da imagina\u00e7\u00e3o, esses filmes prop\u00f5em formas diferentes de frui\u00e7\u00e3o, que desafiam uma l\u00f3gica assertiva e racional t\u00e3o caracter\u00edstica da tradi\u00e7\u00e3o documental. Questionar, provocar nossas firmes convic\u00e7\u00f5es, nossas arraigadas rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas com o mundo, mas tamb\u00e9m com o cinema. N\u00e3o seria tamb\u00e9m essa a raz\u00e3o de ser do document\u00e1rio? N\u00e3o seria essa a fonte de tanto prazer e curiosidade que vem conquistando mais e mais admiradores do g\u00eanero?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No elogio ao imprevis\u00edvel, ao indeterminado, o document\u00e1rio tem encontrado e valorizado as experi\u00eancias que possibilitam o encontro com o mundo e com o outro. J\u00e1 n\u00e3o se trata mais de falar sobre o outro, mas criar, experimentar e expressar de maneira compartilhada. Propor e dividir uma experi\u00eancia: \u00e9 isso o que vemos em \u201cHomem comum\u201d, \u201cA vizinhan\u00e7a do tigre\u201d, \u201cLa llamada\u201d e \u201cAprender a ler pra ensinar meus camaradas\u201d. Filmes que demonstram que o papel do documentarista n\u00e3o \u00e9 \u201cdar\u201d a voz ao outro, como um ato benevolente de escuta, mas filmar o corpo e o pensamento do outro como um gesto de transforma\u00e7\u00e3o de si, do outro e do espectador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao singrar esse conjunto de filmes, compreendemos porque precisamos navegar, n\u00e3o porque pretendemos chegar a um porto seguro, mas porque \u00e9 necess\u00e1rio se aventurar para descobrir novos mundos.\u00a0<\/p>\n<p><strong>LONGAS-METRAGEM<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=84\">A gente<\/a> (Paran\u00e1, 2013, 89 min)<br \/>De Aly Muritiba<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=93\">A Vizinhan\u00e7a do Tigre<\/a> (Minas Gerais, 2014, 95 min)<br \/>De Affonso Uchoa<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=96\">Aprender a ler pra ensinar meus camaradas<\/a> (Bahia, 2013, 84min)<br \/>De Jo\u00e3o Guerra<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=99\">Branco sai, Preto fica<\/a> (Distrito Federal, 2014, 93min)<br \/>De Adirley Queir\u00f3s<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=111\">Homem Comum<\/a> (S\u00e3o Paulo, 2014, 103 min)<br \/>De Carlos Nader<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=116\">Lu\u00edses - Solrealismo Maranhense<\/a> (Maranh\u00e3o, 2013, 74min)<br \/> De Lucian Rosa<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>CURTAS-METRAGEM<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=121\">A que deve a honra da ilustre visita este simples marqu\u00eas?<\/a> (Paran\u00e1, 2013, 25min)<br \/> De Rafael Urban e Terence Keller<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=125\">As \u00e1guas\u00a0<\/a>(Paran\u00e1, 2014, 10min)<br \/>De Larissa Figueiredo<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=133\">Caixa d\u2019\u00e1gua: qui-lombo \u00e9 esse?<\/a> (Sergipe, 2013, 15min)<br \/>De Everlane Moraes<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=138\">Contos da Mar\u00e9<\/a> (Rio de Janeiro, 2013, 17 min)<br \/>De Douglas Soares<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=142\">E<\/a> (S\u00e3o Paulo, 2013, 17min)<br \/>De Alexandre Wahrhaftig, Helena Ungaretti e Miguel Antunes Ramos<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=146\">Karioka<\/a> (Mato Grosso, 2014, 20min)<br \/>De Takum\u00e3 KuiKuro<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=150\">La Llamada<\/a>\u00a0(S\u00e3o Paulo, 2014, 19min)<br \/>De Gustavo Vinagre<\/p>\n<p><a href=\" https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=154\">Malha<\/a>\u00a0(Paraiba, 2013, 14min)<br \/>De Paulo Roberto<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=158\">Not\u00edcias da Rainha<\/a> (Paran\u00e1, 2013, 19min)<br \/>De Ana Johann<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=166\">O Arquipel\u00e1go<\/a>\u00a0\u00a0(Rio de Janeiro, 2014, 28min)<br \/>De Gustavo Beck<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=170\">O canto da lona<\/a> (S\u00e3o Paulo, 2013, 25min)<br \/>De Thiago Mendon\u00e7a<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=177\">O porto<\/a> (Minas Gerais, 2013, 20min)<br \/>De Clarissa Campolina, Julia De Simone, Luiz Pretti e Ricardo Pretti<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=181\">Perto da minha casa<\/a> (Esp\u00edrito Santo, 2013, 16min)<br \/>De Carolini Covre e Diego Locatelli<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cachoeiradoc.com.br\/2014\/?page_id=173\">Ponto Cego<\/a> (S\u00e3o Paulo, 2014, 10min)<br \/>De Chico Bahia<\/p><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que navegar? texto de Ana Rosa Marques A proposta da Mostra Competitiva reflete-se nas \u00e1guas do Paragua\u00e7u, rio que banha a cidade de Cachoeira. 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